sábado, 18 de maio de 2013

Viagens e leituras ou releituras



Quase sempre que retorno de alguma viagem mais significativa, leio alguma obra direta ou indiretamente relacionada com lugar, evento de que participei ou, ainda, pessoas. Para citar apenas dois casos, um do passado recente e outro do presente, foi assim que reli O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e estou relendo Iracema, de José Alencar.

A releitura de O pequeno príncipe deveu-se a uma pessoa que conheci no Aeroporto Internacional de Confins, Minas Gerais, ao regressar de viagem a Belo Horizonte, em maio de 2012; a de Iracema foi por causa da viagem a Fortaleza, Estado do Ceará, em maio de 2013, em companhia da Câmelha, minha mulher. E, por causa de Iracema, hei de escrever uma ou mais crônicas. O título de um delas, aliás, já escolhi, será “As areias nuas do mar”, expressão tomada do belíssimo romance alencariano.

Faz dois ou três dias, conversando pelo Facebook com Vicente Amador (Vicente Carneiro da Silva), muito amigo e meu ex-professor de Português, que mora em Fortaleza, disse a ele estar relendo Iracema. Muito culto e amante da boa literatura, não poderia ser outra a sua reação. Exclamou: “Valeu, camarada! Iracema é poesia da boa em prosa!”. E é verdade, Iracema é poesia inebriante sem versos, em prosa.

Vicente é uma das muitas amizades que levarei por toda a vida. É licenciado em Letras pela Universidade Estadual do Ceará e foi meu professor de Português, em 1993, quando eu cursava em Xinguara, Estado do Pará, meu segundo curso médio, o curso técnico de Contabilidade, nascendo daí nossa especial relação de amizade. Ele dizia, aliás, que nem tinha o que me ensinar e que eu sabia Português tanto quanto ele. Bondade dele, é claro.

Por falar nisso, registro o que, também à época, dizia o professor de Contabilidade, Dr. Antônio Sebastião Arenhart, que será sempre outro grande amigo. Dr. Antônio disse à frente da classe que eu sabia mais que o professor e não precisaria estar ali. Um dia desses – 31 de março de 2012, para ser exato –, encontrando-o em Xinguara, juntamente com dona Eloá, mulher dele, ouviria, na presença de Wagner Spindola de Ataíde, Grão-mestre Adjunto da Grande Loja Maçônica do Pará, a repetição do mesmo elogio. São amigos de verdade que me admiram e me estimam, com os quais a vida, bondosamente, me presenteou.

Bom, embora tenha dito acima que citaria apenas duas leituras decorrentes de viagem, vou propositadamente me contradizer e citar mais uma: foi ainda influenciado pela viagem a Belo Horizonte que li O retorno do jovem príncipe, de A. G. Roemmers, leitura que recomendo. É isso. Por hoje, é só isso. Ah, sei lá, talvez não!... Encerro com a última frase de Iracema, frase-parágrafo, bem ao gosto alencariano posta: “Tudo passa sobre a terra.”

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dia de sol


Bom dia, amigos e leitores do Facebook! Tenho a alegria de lhes comunicar, bem como ao mundo, que Marabá está, linda e gostosamente, enfeitada de sol nesta manhã de 17 de maio de 2013. Como, aliás, sói acontecer todos os dias de verão. É lindo, muito lindo, para dizer o mínimo, este meu cantinho abençoado do Universo!


O sol, é claro, invadiu minha casa e meu quintal e eu, tratando-se de uma invasão, bem que poderia reclamar e tomar providências, até impetrando se fora o caso um interdito proibitório. Não vou, contudo, fazê-lo. Como disse belamente, num de seus poemas, o inigualável Camões: “Calar-me-ei somente, / Que meu mal nem ouvir se me consente.” Sê, pois, bem-vindo, sol, à casa e ao quintal deste homem da floresta! Não serás, eu te garanto, visto nem tratado como invasor. Acredita! Tenho árvores, que te receberão de bom grado.


Brincadeiras e poetice meia-tigela à parte, plantei no meu quintal, já faz alguns anos, uma semente deixada à noite debaixo do pé de coco-da-praia pelo morcego que lhe roera toda a polpa. Nasceu logo após poucos dias e foi crescendo, crescendo, até se tornar alta e bela árvore, embora impedida de crescer e se desenvolver plenamente pelas constantes podas que lhe tenho imposto. É um belíssimo exemplar de acácia-negra, classificada pela Botânica como Acacia melanoxylon, recreio diário de bem-te-vis e outros passarinhos.


É obrigatória, como se sabe, a poda de árvores em ambientes urbanos, ato invasivo perpetrado pelos humanos, às vezes desnecessariamente e por tolice quando não por mera maldade. Como escrevi há alguns anos, na crônica “Amor das árvores”, publicada no jornal Opinião, quase sempre nem é necessário plantar árvores, basta deixar crescer naturalmente as que nascem. A natureza faz germinar e nascer, e, na medida certa, dá a chuva e dá o sol, mas os humanos não raro impedem, por necessidade ou não, o crescer natural do que nasce.


A acácia é uma das árvores muito citadas na Bíblia, que também fala de cedros e palmeiras. É também, para quem não sabe o digo, um dos símbolos da Maçonaria, instituição a que pertenço. Plantei meu pé de acácia sem saber que de acácia se tratava e bem antes de ser maçom, mas hoje tenho muita alegria de tê-lo plantado e cultivado. Pena que, por causa do muro e da cerca elétrica do vizinho, de vez em quando tenha de lhe cortar os galhos. É uma necessidade.


Um tempo desses, deixei crescer um pé de imbaúba, mas tive de cortá-lo, porque a imbaúba cresce demais e é muito frágil, de forma que oferece muito risco às edificações mais próximas. Uma pena, pois é muito bonito um pé de imbaúba e atrai muitas aves nas manhãs e tardes de todos os dias. Plante, pois, se puder, ó meu caro leitor, uma ou mais árvores no seu quintal. Deixe crescer naturalmente, se puder, um pé de imbaúba. Vale a pena (“paga a pena”, como diria Machado de Assis). Depois é só lhe contemplar a beleza nos dias de sol e também de chuva.   

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Correções desastradas


 
Colaboro gratuita e esporadicamente com a imprensa, escrevendo artigos para jornais e revistas, desde setembro de 1993, época em que morava em Xinguara, quando escrevi o primeiro artigo para o jornal Carajás, do meu amigo João Carlos Rodrigues, intitulado “Tribunal do Júri: Quase Sempre um Tribunal de Injustiças”. Tenho paixão por jornal e revista impressos, mais por jornal. O jornal sempre me fascinou.    

Pois bem. Escrevendo, com certa frequência, para a imprensa, de vez em quando fico furioso, porque alguém do jornal ou da revista se mete a besta e, a título de corrigir meu texto, erra por mim: não errei, mas ele erra e o erro no meu texto fica para mim. Isso me deixa muito irritado, aborrecido mesmo.  Não foi somente uma vez que tal coisa me aconteceu e, por causa disso, já cheguei romper com um veículo de comunicação – a revista eletrônica Última Instância, de São Paulo (SP), para ser exato.

É incrível! Algumas vezes, errei aqui e acolá, pela omissão involuntária de letras ou mesmo palavras, ou, ainda, pelo acréscimo despercebido de letras ou palavras. E sempre que isso acontece e só vejo depois de ter enviado o texto para o jornal, fico torcendo para que corrijam, mas nunca o fizeram. Pego o jornal, olho e vejo – para meu desespero – que lá está o erro, do jeito que foi enviado. Onde existe erro e, por conseguinte, é preciso corrigir, acrescentando ou retirando alguma coisa, não veem e não corrigem. Onde não é necessário corrigir, porque não há erro algum, metem o bedelho e erram por mim, emporcalhando meu texto.

No jornal Correio do Tocantins, já cometeram tais atentados muitas vezes. A mais recente foi na edição 2.519 (16 e 17 de maio de 2013), na crônica “Despertar de uma linda manhã”. Escrevi no penúltimo parágrafo: “Busco avidamente, no que depender de mim, agradar a todos, mas, a despeito disso, o que mais me interessa é, malgrado saber que ninguém é perfeito, agir corretamente.” Aí um malfazejo lá do jornal, atrevidamente, lascou: “Busco avidamente, no que depender de mim, agradar a todos, mas, a despeito disso, o que mais me interessa é, malgrado saber que ninguém é perfeito, ninguém age corretamente.”

Puxa vida, leitor, veja a desgraça que ele fez. Escrevi uma coisa e ele transformou em outra, totalmente ao contrário, simplesmente porque, atabalhoadamente, confundiu-se e não entendeu o que escrevi. Como se vê, em outras palavras, eu disse que, mesmo sabendo que ninguém é perfeito, o que mais me interessa é agir corretamente, em vez de agradar. Quem ler com atenção notará a enorme diferença entre o que escrevi e o que o jornal publicou. Ficou muito diferente do que escrevi (e até mesmo sem sentido) o que escreveram.

Haja paciência! Até quando, ó Catilina?...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Despertar de uma linda manhã



O verão está chegando, amanheceu e o dia está lindo. São 8h30 de 15 de maio de 2013 e eu acabo de despertar. Os raios de sol, como se fossem filetes de ouro, entram quarto e sala adentro, através dos vidros das janelas e também brilham nos galhos das árvores do quintal. Os coqueiros, a mangueira, o pé de cupuaçu e a minha Acacia melanoxylon, em que dão voos rasantes e gorjeiam alegremente bem-te-vis e outros passarinhos, estão enfeitados de sol, num dos mais belos espetáculos da natureza. Ah, é por isso que tenho paixão pela vida! 

A Câmelha, minha mulher, e o Daniel, nosso filho de 15 anos, estão para a escola: ela, trabalhando; ele, estudando. Em casa comigo, estão apenas o Samuel,  filho de 8 anos, que dorme, e a Shirley, nossa dedicada secretária do lar, que trabalha. Tomo o café da manhã: chá verde, shake e tabletes da Herbalife, acompanhados do coquetel matutino de remédios para o coração e a pressão arterial (carvedilol, losartana potássica, digoxina, furosemida e ômega-3). Com exceção da digoxina, que tomo um dia sim e outro não, é assim todos os dias. 

Ainda um pouco cansado devido à viagem de doze horas que fiz ontem, de Belém a Marabá, tenho, já em certo atraso, atividades da pós-graduação para realizar: leituras para fazer e trabalhos para escrever. Estou, contudo, alegre e bem-disposto, com vontade de ler, escrever qualquer coisa não acadêmica para registrar meu estado de espírito e também passear um pouco, visto que estou de férias. 

Pego o celular e tento ligar para a mulher, mas dá caixa postal, porque ela está em aula. Tento duas vezes e, desistindo, começo a escrever. Ela, contudo, como eu já previa, me retorna a ligação e eu lhe digo que liguei apenas para dizer que a amo e que aqui está tudo muito bonito. A vida fica mais bonita e tem mais sentido quando expressamos, com palavras e atos, o que de bom sentimos pelas pessoas. Vale também, obviamente, para os sentimentos de raiva e desagrado. Se me aborrecem, eu o digo. Não tenho o costume de ficar calado, se posso e devo falar. 

Aproveite e viva bem, caro leitor, o seu dia. Aja com elegância e educação, porém, com independência em quaisquer circunstâncias, porque, para dizer o mínimo, isso é muito bom. Não prejudique os outros, respeite os direitos alheios e jamais abra mão dos seus. Agrade ou desagrade a quem quer que seja, procuro sempre fazer isso. Busco avidamente, no que depender de mim, agradar a todos, mas, a despeito disso, o que mais me interessa é, malgrado saber que ninguém é perfeito, agir corretamente. Isso me basta. 

Eis, pois, a crônica de hoje, despiciendo dizer esperar que ela agrade, é também para isso que escrevo. Se desagradar, paciência! Para quem crê na Bíblia como inerrante palavra de Deus, ofereço, à guisa de impetração, um dos meus versículos preferidos: “O Senhor te abençoe e te guarde” (Nm. 6.24). A quem não crê, eu digo: Tudo bem. Viva sua descrença, em paz com sua consciência, mas respeite a liberdade de crença do outro. Assim, viveremos em paz.